quarta-feira, 19 de agosto de 2015


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Os Meninos do Brasil - FILME


Os Meninos do Brasil é um filme de 1978 (vocês encontram também o livro), que faz menção às barbaridades do nazismo e aborda sob uma temática de ficção científica, a clonagem humana. A história tem como protagonista o médico Joseph Mengele (Gregory Peck), que fez milhares de experiências genéticas com judeus (inclusive crianças), viveu no Paraguai e planejou o nascimento do 4º Reich. Para obter tal objetivo, utiliza várias mães de aluguel em uma clínica brasileira para fazer 94 clones de Hitler quando ele era um garoto, e enviá-los para serem adotados em diversos países.
Além disso, Mengele escolhe famílias que se pareçam com a de Hitler e cria situações para traçar o psicológico dos garotos clonados. Entretanto Ezra Lieberman (Laurence Olivier), um judeu que é um caçador de nazistas, descobre a trama e tenta impedir que tal plano se concretize.


Apesar de ficção científica, o filme trata da realidade. Mengele foi um médico alemão, conhecido como “Anjo da Morte” que se filiou ao partido nazista na Segunda Guerra Mundial. Ao final da guerra, ele fugiu para a América do Sul, passando pelo Brasil, onde montou um laboratório para realizar suas experiências genéticas. 


Há questionamentos sobre a veracidade das experiências com clones apresentada no filme. Isto porque em Cândido Godói, uma pequena comunidade no sul do Brasil, há mais de 50 pares de gêmeos, sendo a maioria deles loiros e de olhos azuis. Os rumores indicam que possivelmente um médico alemão passou por lá, e relatos de que foram feitas muitas experiências com gêmeos e mulheres, com aplicação de medicamentos desconhecidos e inseminação artificial.

Gêmeos de Cândido Godói
Alguns pesquisadores descartaram o envolvimento de Mengele com esse fenômeno, mas obviamente, os rumores continuaram. Esse foi o tema de um documentário da National Geographic: “Os gêmeos de Mengele”.

Gostou e quer assistir ao filme? 

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Este é um filme que retrata bem a bioética, uma das questões a serem trabalhadas pelo biomédico, mesmo antes de entrar na profissão. Sobre este filme, bioética e outras indicações de livros e séries, ouça o novo episódio do Biomedcast!

http://biomedcast.com/
Fui convidada a dar um toque feminino ao cast, representando o XX que estava faltando ali em meio aos XY! Rsrs O cast está bastante divertido e informativo. Esperamos que gostem!

Fontes:
Adoro Cinema
NatGeoTv
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domingo, 16 de agosto de 2015


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Identificação presuntiva de enterobactérias - Microbiologia #dia7

A identificação presuntiva de bacilos gram negativos como Escherichia, Shigella, Samonella, Citrobacter, Enterobacter, Serratia, Proteus, Klebsiella, Hafnia, Pantoea, Morganella, Providencia, Yersinia, pode ser facilitada manualmente por uma série bioquímica simples. Esta série pode ser uma associação de três meios: EPM, MILI e CITRATO.


·      Meio Citrato: o princípio do teste é determinar a capacidade do microrganismo de utilizar o citrato de sódio como única fonte de carbono para seu metabolismo e crescimento. A produção da cor azul após 24 horas de incubação à 35ºC +/- 2ºC indica a presença de produtos alcalinos e positivo para utilização do citrato.

·      Meio EPM: o aparecimento de bolhas ou o deslocamento do meio de cultura do fundo do tubo indica a produção de gás, e determina a capacidade de produção de CO2 a partir da fermentação da glicose. O enegrecimento do meio em qualquer intensidade indica a produção de H2S, e determina a produção de íons S-2 a partir do metabolismo bacteriano. O aparecimento da cor azul ou verde azulada (reação fraca) que se estende para a base do meio, envolvendo-a totalmente ou não, determinando a capacidade do microrganismo de utilizar a ureia, formando duas moléculas de amônia pela ação da enzima uréase. O aparecimento da cor verde na superfície indica a desaminação do triptofano, e a fermentação da glicose é indicada também pela cor amarela na base do tubo.

·      Meio MILI: determina a motilidade, a descarboxilação da lisina e a produção de indol. A bactéria móvel cresce além da linha de picada. A imóvel somente nesta linha. O teste visa verificar se a bactéria é móvel ou imóvel, o que ajuda a diferenciar alguns gêneros. Determina-se a capacidade de descarboxilação da lisina pela cor do meio. Quando o meio adquire uma cor amarelada, indica que o aminoácido não é utilizado e não á ação da enzima lisina descaboxilase. Quando o meio atinge uma cor púrpura acentuada ou discreta, a lisina é descaboxilada. Para a determinação da produção de indol, adiciona-se 3 gotas de reativo de Kovacs à superfície do meio e agita-se levemente. Quando a bactéria produz indol, o reativo adquire cor rosa ou vermelha. Quando não produz, o reativo mantém sua cor inalterada. É um dos produtos de degradação do metabolismo do triptofano, este quando quebrado, indol, ácido pirúvico e amônia são produzidos.

É importante lembrar que a utilização de outros meios também é válida, como TSI e Meio IAL.

Indicação de bibliografia para análise e identificação:

Livro: Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Apostila: Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia Clinica para o Controle de Infecção Relacionada a Assistência a Saúde. Modulo 6 : Detecção e identificação de bactérias de importância medica /Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013.
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Antibióticos - Microbiologia #dia6

Os antibióticos pertencem a uma classe de medicamentos muito importante. E a realização e a interpretação do teste de sensibilidade a estes antimicrobianos (TSA) é um dos testes mais desafiadores nos laboratórios de microbiologia. O vídeo que trazemos hoje trata desde a microbiologia básica à escolha clínica dos antibióticos, passando pelas classes dos mesmos. Embora os biomédicos não estejam envolvidos diretamente na escolha dos antibióticos para o tratamento das infecções, é importante que se conheça mais sobre eles. 

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VRE - Enterococos resistentes à vancomicina #dia5


Os enterococos são cocos gram positivos normalmente presentes no trato gastrointestinal e trato genital feminino, e comumente, não são muito virulentos. São instrinsecamente resistentes a clindamicina, penicilinas, cefalosporinas e outros betalactâmicos, e possuem pouca eficácia in vivo a cotrimoxazol, quinolonas, tetraciclina e cloranfenicol. As combinações eficazes são com penicilina, ampicilina ou vancomicina + gentamicina ou estreptomicina. Entretanto, a resistência a aminoglicosídeos está cada vez mais frequente, assim como a ampicilina.
A resistência à vancomicina foi descrita primeiramente nos Estados Unidos, na década de 80 e desde então foi observado um aumento das infecções e colonizações por VRE. A sigla de VRE significa “Vancomycin-resistence enterococcus”, e pode ser traduzida para o português como sendo “enterococo resistente a vancomicina” (ERV). No Brasil, o primeiro VRE foi identificado em um hospital de Curitiba, em 1996 em um hospital de Curitiba, e a partir de então relatos dessa resistência são descritos em diversos hospitais brasileiros.
O Gênero Enterococcus é representado por nove espécies. Não obstante, o Enterococcus faecalis e o Enterococcus faecium são as principais espécies causadoras de infecções no ser humano. A infecção geralmente ocorre a partir da microbiota endógena após manipulação gastrointestinal, por transmissão cruzada pelas mãos de profissionais da saúde em ambientes hospitalares, e equipamentos médicos, como estetoscópios.
Nessas espécies, há a presença de genes vanA e vanB, que codificam altos níveis de resistência à vancomicina, e são os de maior interesse devido a ampla capacidade que esses microrganismos apresentam para disseminação mundial.
Enterococcus gallinarum e Enterococcus casseliflavus são espécies intrinsicamente resistentes a baixos níveis de vancomicina e têm sido descritos como colonizadores do trato intestinal humano.
Os pacientes com maior risco para aquisição de infecção ou colonização por VRE são:
• Pacientes com doença de base severa (neoplasias, hepatopatas, nefropatas) ou imunossupressão (pacientes submetidos a transplantes ou em quimioterapia).
• Pacientes submetidos à cirurgia abdominal ou cárdio-torácica.
• Pacientes submetidos à sondagem vesical ou cateterismo venoso central.
• Pacientes com internação prolongada ou que receberam múltiplos antibióticos, incluindo vancomicina.

NOTA: o paciente colonizado é aquele que é portador da bactéria, mas que não desenvolve a doença infecciosa e pode representar agente de disseminação da bactéria. O infectado é aquele que tem o processo infeccioso pelo VRE.

Cultura e identificação
As culturas de vigilância em ambiente hospitalar são realizadas a partir de swab retal. Utiliza-se meios de cultura líquido e sólido, que permitem a inibição do crescimento de bactérias sensíveis a Vancomicina, proporcionando a seletividade de bactérias resistentes a este. O procedimento se dá da seguinte forma:
·      As amostras semeadas em meio líquido BHI-vanco são analisadas após incubação por 24 horas em estufa bacteriológica.
·      Após este período, se houver turvação no tubo, semeia-se em meio Bea-vanco.
·      Após mais 24 horas, se houver mudança de colocação do meio para preto, indicando consumo da bile esculina presente no meio, semeia-se em Ágar Sangue. Se não houver crescimento, deve-se aguarda até 48 horas para liberar o exame.
·      Se houver crescimento de colônias acinzentadas, realiza-se o teste PYR. Se este for negativo, o exame é liberado como negativo para VRE. Se positivo, faz-se a identificação automatizada ou série bioquímica com telurito, arabinose, bile esculina e NaCl 0,5%.
·      Se o resultado for E. faecalis ou E. faecium, deve-se verificar o MIC (concentração mínima inibitória) de Vancomicina, com fita de E-test. Se o MIC for maior que 256 mcg/mL, solta-se o resultado positivo para VRE, com a identificação e MIC do microrganismo. Para isso, deve-se fazer um inóculo na escala 0,5 de McFarland e deve-se depositar 10µl na superfície do meio Mueller-Hinton.

BÔNUS: Vídeos sobre vancomicina e sobre a resitência


Fontes:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
CDC
Levin, Anna Sara. Enterococcus resistente a resistente a vancomicina. Universidade de São Paulo Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias.
Nota Técnica – Enterococo resistente à vancomicina (VER ou VRE). Secretaria de Estado de Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças – CCD Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, Divisão de Infecção Hospitalar.



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quinta-feira, 13 de agosto de 2015


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Microbiologia também é arte! #dia4

Os microbiologistas sempre defendem a beleza da microbiologia e o quão incrível é acompanhar o crescimento de culturas e observar as características de cada uma. A microbiologia por si só já é encantadora, com todas as suas cores e formas. Claro que só quem é apaixonado pela área concordará com isso, e é claro também que quando falamos de microrganismos patogênicos, a beleza acaba ficando em segundo plano.



O fotógrafo e microbiologista Seung-Hwan Oh, também conhecido por Tonio Oh, consegue chamar a atenção mesmo daqueles que não gostam de microbiologia. Isso porque ele mistura arte e ciência como ninguém. Oh mistura o orgânico ao artificial, “tratando” as suas fotos com um composto cheio de bactérias. O fotógrafo diz que a sua intenção é “explorar a impermanência da matéria, bem como as limitações materiais da fotografia”. As bactérias literalmente consomem as fotos e causam efeitos incrivelmente belos.

Mais fotos de Tonio Oh (clique para ampliar):

  







Fontes:
Beautiful Decay
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015


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Vida de Microbiologista - Microbiologia #dia3

“Microbiologia é o ramo das ciências que estuda bactérias, fungos e vírus (microrganismos). Os microrganismos constituem mais de 90% da biomassa e a maior biodiversidade da Terra. São usados na produção de vinagres, bebidas alcoólicas, queijos, yogurtes, pães e antibióticos. Apenas uma minoria destes agentes é patogênica ou danosa, causando doenças em humanos, animais e plantas, assim como a deterioração de alimentos e a degradação de estruturas.”  (Instituto de Ciências Biomédicas – USP)


A microbiologia é uma área de atuação fascinante à quem tem instinto de investigação. Analisar uma colônia e ir juntando características, tanto da infecção quanto do microrganismo, e chegar a um resultado final que auxiliará o médico na melhor conduta ao paciente... esta é a função do microbiologista! Claro, que a mesma sensação de investigação se dá na microbiologia de alimentos e ambiental, áreas que o biomédico também está apto a atuar.

Para exemplificar o dia a dia do microbiologista, encontrei este vídeo bem bacana e divertido sobre o assunto: 

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terça-feira, 11 de agosto de 2015


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Urocultura - Microbiologia #dia2


As infecções do trato urinário (ITU) podem ocorrer em pessoas de todas as idades e sexo, entretanto, ocorre com maior frequência em mulheres, devido as características do sistema urinário feminino. Os principais agentes que causam estas infeções são as enterobactérias, entre elas Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus spp e Enterobacter spp. Agentes gram-positivos também podem causar ITU, sendo os principais os estafilococos, com destaque para Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus ssp.
Estas infecções são classificadas em:
·   Bacteriúria assintomática: há presença de bactérias, mas sem sintomatologia. Achado importante em grávidas e crianças com refluxo vesicoureteral.
·   Cistite: infecção da bexiga com disúria como principal sintoma.
·   Pielonefrite: infecção que acomete rins e pélvis, com presença de febre e geralmente associada e infecção sistêmica.
·   ITU complicada: infecção que acomete indivíduo com anormalidade do sistema urinário.
Há ainda as ITUs não complicadas, que geralmente, são diagnosticadas na sedimentoscopia, sem necessidade de cultura.
Pelo fato de que as ITUs são bastante frequentes, a urocultura é o exame mais solicitado em laboratórios de microbiologia. A urocultura, portanto, é cultura de urina para identificação de microrganismos causadores de infecções no trato urinário.

AMOSTRA
A urina de jato médio é a amostra mais comum para a realização de cultura. Entretanto, pode-se fazer a coleta também de urina de qualquer jato, urina de paciente com cateterismo vesical, coleta por sonda de alívio, por punção suprapúbica e amostra de primeiro jato. Para a utilização destes tipos de amostra, as indicações de coleta devem ser seguidas criteriosamente, para maior confiabilidade do exame.

CULTURA
A semeadura da urina pode ser feita de duas formas:

·      Quantitativa: com alça calibrada de platina ou de plástico (de 10µl ou 1µl). Pode ser realizada em MacConkey, CLED ou meio cromogênico. A interpretação é feita de acordo com o crescimento das colônias. É importante ressaltar que, se observado cocos gram-positivos no gram, é recomendado que a semeadura seja feita também em ágar-sangue.

·      Semiquantitativa: com sistema de laminocultivo. O laminocultivo consiste em uma embalagem plástica cilíndrica, com um suporte conectado na tampa com duas faces. Em uma das faces, há o meio CLED (meio que inibe o véu do Proteus spp. e onde é realizada a contagem no laminocultivo), onde cresce todas as bactérias e na outra face, há o meio de citrato e MacConkey, um meio seletivo para bacilos gram-negativos. Nesta face, é possível realizar o teste de indol com reativo de Kovacs, o que auxilia muito no processo de identificação.
 
Laminocultivo e Reativo de Kovacs
 Ressaltamos que a coloração de gram (já descrita no blog) acompanha todo o processo de identificação das bactérias causadoras da infecção. Além disso, é importante que o microbiologista consulte a urina I do paciente, já que o número elevado de leucócitos e presença de bactérias na sedimentoscopia indicam infecção. É preciso também levar em conta a sintomatologia, idade, sexo e histórico do paciente. E com tudo isso, comparar com a contagem de colônias, descartando ou não possíveis contaminações e infecções verdadeiras.
Para a identificação de possíveis contaminações, é importante observar a quantidade de leucócitos e caso haja mais de um microrganismo predominante na placa (com leucócitos normais), é recomendado que seja pedida uma nova amostra.

INTERPRETAÇÃO E CONDUTA

Para a interpretação das culturas de urina, podemos entender o seguinte:
·  Sem crescimento, sem presença de leucócitos e com presença ou ausência de sintomatologia: NEGATIVO, e não há infecção.
·      Sem crescimento, com presença de leucócitos, com ou sem sintomatologia: NEGATIVO, mas pode haver sim infecção, como por exemplo por gonococo, ureaplasma, clamídia, ou o paciente está fazendo uso de antibióticos.
·      < 105 UFC/mL, com ausência de leucócitos, e dois ou mais microrganismos (MOs): faz-se a identificação e leva-se em conta também a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·  < 105 UFC/mL, sem leucócitos, e dois ou mais MOs: faz-se a identificação. Caso haja sintomatologia, recomenda-se também o antibiograma.
·    ≥ 105 UFC/mL, sem leucócitos, com um ou mais MOs: faz-se a identificação, e leva-se em conta a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·    ≥ 105 UFC/mL, com leucócitos, com ou sem sintomatologia: além da identificação, faz-se também antibiograma.

Observações relevantes:

Ø No gram, a presença de muitas células epiteliais e de mais de um tipo de MO sugere contaminação de coleta.
Ø Na maioria dos casos, culturas com baixa contagem são negativas. Entretanto, alguns MOs, mesmo que com baixa contagem, são muito importantes, e deve-se fazer identificação e antibiograma.
Ø A cultura de ponta de Foley não deve ser realizada, uma vez que o crescimento de MOs representa a microbiota da uretra distal.
Ø Se houver solicitação de pesquisa de fungos, semear em meios específicos, como o Saboraud.
Ø A coleta e o transporte são passos muito importantes para o exame, e devem seguir critérios específicos para um resultado confiável.

Respondendo a pergunta colocada no facebook:

O que fazer quando isolamos um Streptococcus agalactiae em cultura de urina de jato médio com contagem < 105 UFC/mL, sem presença de leucocitúria no sedimento urinário?

Teste CAMP para identificação de S. agalactiae
Como dissemos anteriormente, alguns microrganismos são importantes mesmo com baixa contagem. Neste caso, o resultado deve ser sempre reportado, mesmo na ausência de leucocitúria, pois o Streptococcus do grupo B ou S. agalactiae é um agente importante, principalmente em grávidas, exigindo intervenção por parte do médico para prevenir infecções graves no recém-nascido. Neste caso, deve ser feito o diagnóstico do agente e teste de sensibilidade aos antimicrobianos, para que o tratamento seja instituído de maneira adequada. Os antimicrobianos a serem testados são: clindamicina, eritromicina, e penicilina ou ampicilina; os dois primeiros são drogas de escolha para pacientes alérgicas às penicilinas.

FONTES:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Oplustil, Carmem Paz, et al. Microbiologia Clínica. Vol 2. São Paulo : SAVIER, 2012.
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Coloração de Gram - Microbiologia #dia1

Na microbiologia, é imprescindível que conheçamos a técnica de coloração de Gram, assim como o mecanismo da mesma, para a correta interpretação da bacterioscopia. Obviamente, além dos materiais como corantes e bico de Busen, é de extrema importância que a coloração seja de qualidade, para a obtenção de um resultado confiável e que de fato auxilie na identificação do microrganismo.
O método de Gram foi descoberto pelo médico dinamarquês Hans Cristian Joaquim Gram, em 1884, e por isso recebeu este nome. Hans Gram observou que as bactérias adquiriram cores diferentes, quando tratadas com diferentes corantes.
Hans Gram -
 Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
A partir de então, pode-se classificar as bactérias em dois grandes grupos: gram-positivas e gram-negativas.

·      Gram-positivas: são bactérias que possuem uma espessa camada de peptideoglicano e ácido teicóico e que, portanto, coram-se de azul.
·      Gram-negativas: são bactérias que possuem uma fina camada de peptideoglicano, sobre a qual se encontra uma camada composta por lipoproteínas, fosfolipídeos, proteínas e lipopolissacarídeos. Estas bactérias coram-se de vermelho.

Vamos aprender a técnica para entendermos o que faz com que certas bactérias se corem de azul e outras de vermelho.

Ø Prepare a lâmina fazendo um pequeno esfregaço com a colônia ou a amostra a ser analisada. Pode ser usado salina para melhor diluição na preparação da lâmina.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø A maioria dos laboratórios utilizam-se o calor da chama do bico de Bunsen para a fixação da lâmina. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, este é o método original, utilizando violeta-de-genciana, mas atualmente já há um fixador químico no violeta-de-metila (outro tipo de cristal violeta), que dispensa a utilização da chama. Então, após a fixação, coloque sobre toda a lâmina o cristal violeta, que é um corante de cor púrpura, e aguarde de 30 segundos a 1 minuto. Neste passo, todas as bactérias estarão coradas igualmente, pois absorverão o corante.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø Após este período, lave a lâmina com água destilada, e posteriormente, aplique o lugol (solução de iodo). Esta solução fixará o corante cristal violeta nas bactérias gram-positivas, que tem a parede mais espessas.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Lave a lâmina novamente com água destilada e logo após, lave com álcool-acetona, por cerca de 15 segundos ou até o corante azul sair da lâmina. O álcool fará a descoloração das bactérias gram-negativas, que possuem a parede menos espessa, e é imprescindível uma atenção a este passo, para que não descolore muito a lâmina. Coloque rapidamente a lâmina em água corrente, para tirar o excesso de álcool.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Coloque por toda a lâmina a fucsina ou a safranina. Estes são contracorantes, de tom avermelhado, que servirão para corar as bactérias gram-negativas que foram descoradas no passo anterior. Deixe o corante por 30 segundos a 1 minuto, e lave com água destilada.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Seque a lâmina com secador, e leve ao microscópio para a análise.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

 Observação: é importante mencionar que a padronização do método de gram é específico para cada laboratório. Portanto, os tempos e os passos indicados aqui podem variar de um laboratório para outro. É importante que o procedimento operacional padrão do laboratório seja seguido.

Interpretação do resultado:
Durante o processo de coloração, o tratamento com álcool-acetona extrai os lipídeos, resultando na porosidade ou permeabilidade aumentada da parede celular das bactérias gram-negativas. Por este motivo, o cristal violeta aplicado no início do processo sai, e a safranina aplicada ao final permanece. As gram-negativas coram-se então de vermelho (ou rosa).
Em contrapartida, a parede celular das bactérias gram-positivas, em virtude de sua composição diferente, torna-se desidratada durante o tratamento com álcool-acetona, a porosidade diminui, a permeabilidade é reduzida. Sendo assim, essas bactérias retém o cristal violeta e não se descoram com a aplicação do álcool. As gram-positivas coram-se então de azul (ou roxo).  


Dica para não esquecer, uma analogia simples:
Ø  Quando você está sem nenhum dinheiro na sua conta, você está no VERMELHO (negativo). Lembre-se então das gram-negativas.
Ø  Quando você tira uma nota boa, você tira uma nota AZUL (isso é positivo!). Lembre-se das gram-positivas.
Para finalizar, um vídeo muito bem explicativo do Prof. Fernando Mafra, do Canal de Escola de Ciências da Vida, do YouTube.



Aproveitem esta semana para estudar microbiologia com o Biomedicina em Ação!

Fontes:
Técnica de Coloração de Gram. Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, 1997. 63 p.: iI. (Série TELELAB) 1. Gram I. Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, (Brasil). II. Série TELELAB.
Universidade Federal Fluminense – Instituto Biomédico – MIP Bacteriologia – Coloração de Gram.
Imagens: Vidraria de Laboratório
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015


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Minicurso de Hematologia - Domus Cursos

Bônus de Hematologia!



A Domus Cursos, parceira do Biomedicina em Ação, lançou mais um curso para Campinas e região! Trata-se de um minicurso de hematologia com foco no diagnóstico diferencial das Anemias, a fim de suprir a necessidade dos profissionais e estudantes sobre o tema. Com profissionais altamente qualificados, com anos de experiência e atualizados sobre o tema, a Domus oferece um curso rápido e excelente para atualização de conhecimentos.
 Mais informações e inscrições pelo site da Domus Cursos!


E lembrando que o Minicurso de Circulação Extracorpórea ainda estão com inscrições abertas! Corra no site e garanta a sua vaga! 


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