quarta-feira, 4 de abril de 2012


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Via Glicolítica ou Glicólise

   A glicólise (ou via glicolítica) é o primeiro estágio do metabolismo, e consiste em um processo anaeróbico, com saldo positivo de 2 ATP e 2 piruvatos (que podem ser convertidos a lactato ou a Acetil-CoA, e entrar no Ciclo de Krebs). Mas para entender esta via, é necessário que saibamos de onde veio a glicose que será usada para a formação dessa energia.
  O corpo humano (assim como todos os seres vivos) necessita de energia para a realização de suas funções vitais. Os carboidratos são fontes rápidas de energia, e serão degradados por enzimas digestivas para que passem da luz intestinal ao sangue, visto que o organismo não é capaz de absorver moléculas maiores. Esses carboidratos serão degradados até que cheguem ao monossacarídeo glicose. 
  A glicose proveniente da alimentação será a base para a formação de energia necessária para a manutenção do nosso organismo, e para que realizemos nossas funções diárias.
  
A partir do momento em que dissacaridoses degradam dissacarídeos em glicose, na luz do intestino, estas moléculas seguirão para a corrente sanguínea. Para isso, a glicose associa-se ao sódio, e assim, atravessa microvilosidades e canais específicos. 
  Podemos então definir a concentração de glicose no sangue como glicemia:

Alta concentração de glicose no sangue: hiperglicemia
Baixa concentração de glicose no sangue: hipoglicemia
Concentração ideal de glicose no sangue (indivíduo em jejum - 70 a 99mg/dL): normoglicemia

  A glicose que está no sangue, precisa então, entrar na célula, para que a glicólise aconteça. Para isso, inicia-se a Via de Sinalização da Glicose, no qual o hormônio insulina, produzido no pâncreas, atua estimulando uma cascata de reações bioquímicas ao se ligar ao seu receptor IR. Ao se ligar ao IR, este estímulo prossegue pelas proteínas IRS1->PI3K->AKT, respectivamente, até que o GLUT (transportador de glicose) receba este estímulo e haja a sua translocação para a membrana da célula, abrindo um canal para a entrada da glicose do meio extracelular, para o interior da célula.
  Agora sim, temos glicose dentro da célula, e podemos começar a descrever a glicólise, que possui 10 reações para a conversão da glicose, e é divida em duas fases: preparatória e fase de pagamento.


FASE PREPARATÓRIA: há a preparação para a transferência de elétrons e a fosforilação do ADP, utilizando a energia da hidrólise de ATP.
1ª etapa
Ocorre a fosforilação da glicose, pela enzima Hexoquinase, para que glicose permaneça na célula. O fosfato é adicionado ao carbono 6 da molécula de glicose, portanto, o produto será glicose-6-fosfato. É importante ressaltar que a glicose não perde nenhum carbono, há apenas um rearranjo na sua estrutura.
Para a adição do fosfato (fosforilação) à glicose, há o primeiro gasto de energia.

GLICOSE + ATP -> G6P + ADP
2ª etapa
Há a isomerização da glicose-6-fosfato, formando frutose-6-fosfato. A enzima que catalisa esta reação é a glicose fosfato isomerase. Novamente, há apenas um rearranjo, sem perca de carbono, visto que a glicose é uma aldose, e a frutose é uma cetose, mas ambas são hexoses. 

3ª etapa
A frutose-6-fosfato é fosforilada, produzindo frutose-1,6-bisfosfato. Esta reação é acoplada à hidrólise de ATP, constituindo então o segundo gasto de energia. A G6P e a F6P podem desempenhar papéis em outras vias, mas a frutose-1,6-bisfosfato não, por isso este é um ponto irreversível da glicólise. A enzima que cataliza esta reação é a fosfofrutoquinase.

4ª etapa
Ocorre a divisão da frutose-1,6-bisfosfato em dois fragmentos de 3 carbonos, formando Diidroxiacetona fostato e Gliceraldeído-3-fosfato. A enzima que catalisa esta reação é a aldolase.

5ª etapa
A Diidroxiacetona fostato é convertida em Gliceraldeído-3-fosfato, pela enzima triose fosfato isomerase.

Nota-se que uma molécula de glicose (hexose) foi quebrada e convertida a duas moléculas de Gliceraldeído-3-fosfato (triose), portanto, as reações que se seguem serão representadas apenas uma vez, mas na realidade, duas moléculas de Gliceraldeído-3-fosfato estarão participando de reações iguais.

FASE DE PAGAMENTO: até este momento, não houve nenhuma reação oxidativa, e foram usados 2 ATP. Por isso, esta fase recebe este nome, visto que haverá o pagamento dos das moléculas de ATP gastas, com saldo positivo de 2 ATP e 2 Piruvatos.
6ª etapa
Ocorre a oxidação do Gliceraldeído-3-fosfato a 1,3-bisfosfoglicerato, pela enzima Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase. Esta é a reação característica da glicólise, porque envolve a adição de fosfato ao Gliceraldeído-3-fosfato e transferência de elétrons para o NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídio). O NAD+ é um transportador de energia, e é reduzido a NADH ao receber dois elétrons e um próton.

7ª etapa
Há a produção de ATP pela fosforilação do ADP, pela enzima Fosfoglicertato quinase, e o 1,3-bisfosfoglicerato se converte em 3-Fosfoglicerato. Temos então, o pagamento do ATP gasto. Diferentemente da etapa 6, a fosforilação não é oxidativa, pois não há transferência de elétrons, e sim de fosfato, em nível de substrato. 
Vale ressaltar, portanto, que 2 ATP foram produzidos, já que temos esta reação em dobro.

8ª etapa
Há um rearranjo do 3-Fosfoglicerato, e o fosfato passa do carbono 3 para o carbono 2. Isso acontece pela enzima fosfogliceromutase. Forma-se então o 2-Fosfoglicerato.

9ª etapa
Ocorre a desidratação do 2-fosfoglicerato, formando fosfoenolpiruvato, pela enzima enolase.

10ª etapa
O Fosfoenolpiruvato transfere fosfato ao ADP, pela enzima Piruvato quinase, produzindo então, 2 moléculas de piruvato e 2 ATP (lembre-se que a reação acontece duas vezes).

FOSFOENOLPIRUVATO + ADP -> PIRUVATO + ATP

Fase preparatória: gasto de 2 ATP
Fase de pagamento: produção de 4 ATP e 2 Pituvatos
Saldo positivo de 2 ATP e 2 Piruvatos, além de 2 NADH.

Pontos de controle da glicólise
  Se o organismo não necessitar urgentemente de energia, as vias podem ser "desativadas", para que haja economia de energia. Na glicólise, há então 3 pontos de controle da via:
1º - glicose para glicose-6-fosfato
2º - frutose-6-fosfato para frutose-1,6-bisfosfato (inibição da fosfofrutoquinase pelo excesso de ATP)
3º - fosfoenolpiruvato a piruvato (inibição da piruvato quinase por ATP).

  O piruvato formado segue um dos seus três destinos: formação do etanol ou lactato (ambas são vias anaeróbicas) ou a formação da Acetil-CoA (via aeróbica - do Ciclo de Krebs). Os organismos mais desenvolvidos como o homem, transformam o piruvato em Acetil-CoA. As células musculares podem seguir a via do Acetil-CoA ou do Lactato, sendo que esta não há um grande saldo de ATP, por isso é uma via utilizada em situações de emergência, como exercícios físicos sem preparação.

E para fechar,um vídeo ótimo sobre o assunto, que não é o bicho de sete cabeça como todos pensam. rs
(O vídeo trata também sobre o ATP, especificamente, que não foi falado no texto acima,por isso vale a pena assistir)


Fontes: CAMPBELL,Mary K.; FARRELL, Shawon O. Bioquímica. 5ª edição. Vol 3.
Fotos do google e vídeo youtube.
30 comentaram

30 comentários :

Anônimo disse...

Nossa muito bom, me ajudou muito :D Estão de parabéns!

Thassia Teodoro disse...

Que bom que ajudou,e obrigada pelo elogio! Fique de olho no blog,pois sempre que possível postamos novidades! Forte abraço

Anônimo disse...

Muito bom mesmo. Explica direitinho as reações ;D

Thassia Teodoro disse...

Muito obrigada! Que bom que gostou!

Anônimo disse...

Muito bom, ajudou bastante xD

Thassia Teodoro disse...

Que bom! Fico feliz!

Anônimo disse...

Adorei,é rápido e prático. Muito eficaz! Explica perfeitamente as etapas.

Thassia Teodoro disse...

Que bom que gostou. Volte mais vezes!

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo. Estou cursando Nutrição e me ajudou muito!

Thassia Teodoro disse...

Fico feliz em poder ajudar!

Anônimo disse...

Thassia, muito bom essa matéria, somos alunos de biomedicina e nos sentimos ajudados, verdadeiramente, tudo bem explicado. Parabéns!

Thassia Teodoro disse...

Fico imensamente feliz por ajudar de alguma forma! Obrigada por este reconhecimento, estamos à disposição!

Anônimo disse...

Muito bem explicado. Só faltou sa enzimas lá na reação. Mas tá de parabéns !

Thassia Teodoro disse...

Oii! Obrigada pelo elogio. As enzimas estão descritas em cada fase, junto à explicação. A imagem da reação foi retirada assim da internet, por isso preferi citas as enzimas explicando já a reação. Valeu!

Anônimo disse...

Que maravilha de vídeo.. Amanhã tenho uma prova e é como se tudo estivesse esclarecido agora, depois de ter visto o vídeo. Obrigado pelo site e vídeo, continuem, estão de parabéns!!!!!!

Thassia Teodoro disse...

Muitíssimo obrigada!

Anônimo disse...

PORQUE A PARTIR DO FOSFOGLICERATO TEM 16 ATPS?OBRIGADO!

Danillo Souza disse...

Muito bom, resumiu o que havia estudado. Parabéns!

Thassia Teodoro disse...

Obrigada Danilo!

Juliana Santos disse...

Obrigado , adorei o material , muito bom . Nota 10 .

Unknown disse...

muito obrigado, a minha dúvida foi sanada

Catherine Ferreira disse...

Parabéns pelo blog! Sou estudante de biomedicina tambem e encontrei dificuldades pra achar um site completo. Fiquei contente de encontrar o que eu queria. Sucesso!

Anônimo disse...

Gente, como foi bom ler esse assunto. Abriu minha mente ao entendimento detalhado da via. Obrigada!!!!

Anônimo disse...

Muito bom, ajudou muito obrigado

Anônimo disse...

Adorei a explicação, se todos os professores fossem assim.....

Anônimo disse...

parabéns muito bom a explicação ja começo ver uma luz no fim do tuneo....rs obrigada!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Você explica tão bem quanto meu professor ! Parabéns

Anônimo disse...

Me salvou! Obrigada!
Ótima explicação!

Anônimo disse...

simplesmente maravilhosoooooooooooooo!!
Acho que vou conseguir salvar meu ano!

Fabricio Galdino disse...

Muito bom . Parabéns!!!Obrigado!

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