domingo, 21 de abril de 2013


..
Déficit de Atenção e o uso abusivo de Ritalina

Vocês certamente já devem ter ouvido falar a "pílula da inteligência", utilizada por estudantes para “turbinar” o cérebro. Muitos já tiveram contato com estas drogas, principalmente a Ritalina. Esta postagem visa abordar este tema de forma técnica e também com esclarecimentos à população, levantando estudos sobre mitos e verdades sobre o uso indevido e a repercussão na mídia.

O cloridrato de metilfenidato (conhecido como Ritalina, marca da empresa farmacêutica Novartis) é um psicoestimulante, indicado para déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), de causa idiopática. Utiliza-se ainda outros termos para a descrição desta síndrome comportamental, como distúrbio hipercinético, lesão cerebral mínima, disfunção cerebral mínima, disfunção cerebral menor e síndrome psicorgânica de crianças. O tratamento não se dá apenas com a medicação, mas a adoção de medidas educativas, psicológicas e sociais.
Suas contraindicações são voltadas a pacientes com hipersensibilidade ao metilfenidato ou a qualquer excipiente, ansiedade, tensão, agitação, hipertireoidismo, arritmia cardíaca, angina do peito grave, glaucoma, no diagnóstico de tiques motores ou tiques em irmãos, ou ainda, em diagnóstico ou história familiar de síndrome de Tourette.
Trata-se de um estimulante do sistema nervoso central (SNC), com efeitos mais evidentes nas atividades mentais do que motoras, não tendo total conhecimento da sua ação sobre o homem, acreditando-se que talvez o efeito seja causado pela estimulação cortical e possível estimulação do sistema de excitação reticular. É um composto que consiste na mistura de 1:1 de d-metilfenidato e l-metilfenidato, e a ingestão juntamente com alimentos acelera sua absorção, porém não tem efeito na quantidade absorvida.
No sangue, o metilfenidato e seus metabólitos são distribuídos entre o plasma (57%) e os eritrócitos (43%). O metilfenidato via oral é eliminado pela urina (78% a 97%) e 3% nas fezes sob a forma de metabólitos, em 48 a 96 horas.
Como toda medicação, pode haver efeitos colaterais, como nervosismo, cefaleia, sonolência ou insônia, redução do apetite, dores abdominais, náuseas, vômitos, e raramente leucopenia, trombocitopenia, anemia, reações de hipersensibilidade, psicose tóxica, hiperatividade, humor depressivo, entre outros.

Ritalina no tratamento de TDAH

O diagnóstico da TDAH é somente clínico, baseado na análise do cotidiano do paciente, visto que por ser uma síndrome neuropsiquiátrica, não há um marcador biológico que identifique a doença.
Além do acompanhamento psicológico, educacional e social, há também a intervenção medicamentosa com metilfenidato. O medicamento age na liberação de dopamina - neurotransmissor precursor natural da adrenalina - em determinados circuitos do sistema nervoso central, auxiliando na correção do funcionamento deficitário e controle da hiperatividade.
A ingestão de metilfenidato indevidamente, sem prescrição médica, pode provocar dependência; em contraponto quando o uso é prescrito, segundo o neuropediatra Marcelo Gomes e o psiquiatra Dr. Paulo Mattos, coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ, “a ingestão correta diminui muito o potencial de vício e ainda protege contra o uso de substâncias ilícitas”.
E não. A Ritalina não é a vilã, pelo contrário, ela ameniza os sintomas da TDAH. Obviamente, foi produzida para esta finalidade, não podendo ser usada por quem queira aumentar sua concentração, como afirma do psiquiatra Marcelo Gomes.

O uso indevido da Ritalina

Segundo dados do DEA (Drug Enforcement Administration), órgão administrativo de narcóticos da Polícia Federal norte-americana, os registros indicam aumento do uso abusivo de Ritalina por adolescentes e jovens, e em 2010, aproximadamente 3.601 casos de ingestão da droga foram atendimentos dos pronto-socorros, e 186 mortes estavam ligadas ao uso do medicamento.
Os efeitos da Ritalina estão sendo comparados aos efeitos provocados pela cocaína e pelas anfetaminas. Segundo o DEA, “o abuso desta substância tem sido documentado entre os dependentes químicos. Eles dissolvem comprimidos de ritalina em água para injetar nas veias. Quando injetados, os componentes bloqueiam vasos sanguíneos, causando sérios danos aos pulmões e à retina”. Mas obviamente, a relação do medicamento com drogas ilícitas promove grande discordância entre os profissionais do meio.
Diante disto, é de extrema importância uma avaliação detalhada do paciente antes da intervenção medicamentosa, com tentativas de introduzir outras medidas, e somente caso necessário, a Ritalina deve ser administrada. Nem toda criança agitada ou com falta de atenção é portadora de TDAH.

Ritalina x Estudos – a grande polêmica

A Ritalina ficou conhecida como “a droga dos concurseiros” ou “pílula da inteligência”. Procurando a fundo na internet, encontram-se anúncios (obviamente em sites de baixa confiança) chamativos para estudantes e concurseiros, prometendo que a droga aumenta a capacidade cognitiva de quem usá-la, e uma semana de estudos passa a ser um dia, com a mesma produtividade. Há blogs de pessoas que relatam o cotidiano com o uso da droga, com os efeitos colaterais, e aumento ou não da produtividade, muitos relatando que possivelmente o aumento da concentração seja algo psicológico, e não efeito da Ritalina.


Enfim, o uso da Ritalina para outros fins, que não o tratamento de TDAH, seria com a intenção de melhorar as funções cognitivas primárias, como atenção e concentração, aumentando a produtividade dos estudos, e não tornar o indivíduos mais inteligente.
Um estudo realizado pela psicóloga Simara Batistela, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a Ritalina não promove melhora cognitiva, como está largamente sendo utilizada. O objetivo do estudo foi avaliar se o consumo da droga realmente trazia tais vantagens cognitivas. A matéria publicada no Estadão.com.br diz que “para a pesquisa, foram selecionados 36 jovens saudáveis de 18 a 30 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros três receberam uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg da medicação. Depois de tomarem a pílula, os participantes foram submetidos a uma série de testes que avaliaram atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas. O desempenho foi semelhante nos quatro grupos, o que demonstrou a ineficácia da Ritalina em "turbinar" cérebros saudáveis.”.
Segundo a pesquisadora, a droga não alterou a função cognitiva dos jovens. Os únicos relatos foram daqueles que tomaram uma dose maior, de 40 mg, e relataram maior sensação de bem-estar em relação aos demais.
De acordo o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp, o mito de que a Ritalina teria o potencial de tornar alguém mais inteligente não faz sentido. "A pessoa fala que consegue estudar a noite inteira com o remédio. Isso é porque ela fica acordada e não porque tem uma melhora na atenção", diz. Ele observa que o aprendizado sob o efeito da droga consumida inadequadamente é de má qualidade, além de que o uso indevido aumenta o risco de problemas do coração, podendo chegar a um quadro de arritmia cardíaca.
Ainda segundo a matéria do Estadão, por possuir um potencial de abuso, a venda da Ritalina deve ser feita apenas sob apresentação de receita especial. Entretanto, o acesso à droga infelizmente é simples através do mercado negro, como já dito anteriormente, pela internet. Outra estratégia que tem sido adotada para obter o remédio é simular os sintomas do TDAH para angariar a receita. Segundo levantamento feito pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), houve um crescimento de quase 50% na venda de remédios à base de cloridrato de metilfenidato no Brasil entre 2008 e 2012. Entre setembro de 2007 e outubro de 2008 foram vendidas 1.238.064 caixas, enquanto entre setembro de 2011 e outubro de 2012 as vendas cresceram para 1.853.930 caixas.

Fontes:
Estadão.com.br

Imagens do Google.
1 comentaram

1 comentários :

Diário de um Hiperativo disse...

Tenho 35 anos e tenho TDAH diagnosticada a 1 ano,desde então eu o tinha desde a infância e NÃO sabia que tinha. E está muito difícil para mim,ter controle sobre ela,até porque,ela foi descoberta tardeamente e o sistema público não funciona bem,como sabemos.
Por agora,os prejuízos foram: profissional,pessoal e afetivo. A primeira opção acima de todas.
Está cada vez mais difícil,não perder as esperanças de ao menos,ter o controle sobfe ela na minha vida.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...